No que se configura como um movimento de mercado paralelo altamente organizado, laboratórios na China estão convertendo GPUs de jogos da série RTX 50 da Nvidia, da arquitetura Blackwell, em placas com design "blower-style" otimizado para servidores de inteligência artificial. Inicialmente focado na poderosa GeForce RTX 5090, essa prática se expandiu e agora abrange outros modelos como a RTX 5080, RTX 5070 Ti e RTX 5060 Ti, todas equipadas com 16 GB de memória GDDR7, intensificando o fornecimento de hardware para o crescente setor de IA na região.
A transformação segue um padrão específico: os chips de GPU e a memória GDDR7 são cuidadosamente removidos das PCBs originais das placas de jogos e transplantados para novas placas-mãe projetadas com o sistema de resfriamento tipo blower. Este design, embora menos eficiente para PCs convencionais, é ideal para data centers e fazendas de IA, pois permite que o ar fresco seja puxado pela frente e o ar quente exaurido diretamente para fora do rack, evitando a recirculação interna. Além disso, as placas "blower" são mais finas (geralmente dois slots) e possuem conectores de energia laterais, facilitando configurações multi-GPU densas. Essas placas modificadas são comercializadas em plataformas como Taobao, com preços que refletem a alta demanda por IA: uma RTX 5090 de 32 GB em formato blower custa cerca de US$ 4.150, enquanto a RTX 5080 chega a US$ 1.300, a RTX 5070 Ti a US$ 1.100 e a RTX 5060 Ti a aproximadamente US$ 573, valor este cerca de US$ 100 acima das variantes de jogos.
Essa proliferação de GPUs convertidas surge em um cenário de restrições de exportação impostas por Washington à China para modelos de alta performance como a RTX 5090. Embora a Nvidia tenha respondido oficialmente com variantes adaptadas, como a RTX 5090 D e D V2, grandes volumes de chips RTX 5090 padrão continuam a circular no mercado chinês. A conversão não apenas contorna essas regulamentações, mas também estabelece uma nova categoria de produto que a própria Nvidia não pode oferecer diretamente. Analistas apontam que, embora a empresa não perca vendas diretas, ela está perdendo progressivamente o controle sobre como suas GPUs são utilizadas, revelando um "mercado secundário" robusto impulsionado por know-how, demanda e capital local.
Para os entusiastas de jogos, essa tendência representa uma preocupação crescente. A alta demanda por GPUs para IA, somada aos desafios de produção e escassez de memória, já levou a Nvidia a adiar indefinidamente o lançamento de modelos "Super" para a série RTX 50, como a RTX 5080 Super e 5070 Ti Super. Isso intensifica a escassez das placas de consumo e impulsiona os preços no varejo, com a RTX 5080, por exemplo, custando mais que uma RTX 4090 de geração anterior. A AMD, por sua vez, não apresenta lançamentos de GPUs de consumo significativos e também direciona seu foco para o setor de data centers, deixando os gamers com poucas opções e a perspectiva de um ano "inacessível para PCs de jogos", com ciclos de atualização tradicionais sendo interrompidos.