Nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, o governo do presidente Donald Trump concedeu sinal verde para a venda do superchip H200 da Nvidia à China, um dos processadores de inteligência artificial mais potentes do mercado. A medida, que já havia sido anunciada por Trump em dezembro de 2025 com a imposição de uma taxa de 25% sobre as vendas, estabelece um novo conjunto de diretrizes para a exportação, visando equilibrar os interesses comerciais com as preocupações de segurança nacional.
As novas regras definidas pela administração Trump exigem que os chips H200 passem por uma avaliação de um laboratório independente para confirmar suas capacidades técnicas em IA antes da liberação para embarque. Além disso, a China não poderá receber mais de 50% do volume total de chips vendidos aos clientes americanos, e a Nvidia deve certificar a oferta suficiente desses semicondutores no mercado dos Estados Unidos. Os compradores chineses, por sua vez, precisarão comprovar "procedimentos adequados de segurança" e se comprometer a não utilizar os chips para fins militares, exigências que não existiam anteriormente.
A decisão de Trump contrasta com a política anterior do governo Joe Biden, que havia proibido a venda de chips avançados de IA para a China. A gestão atual, liderada por David Sacks, responsável pela política de inteligência artificial da Casa Branca, argumenta que permitir essas exportações desestimula empresas chinesas, como a Huawei, a intensificar seus esforços para competir com os chips mais avançados da Nvidia e da AMD. Contudo, a medida gerou críticas de parlamentares de ambos os partidos nos EUA, que alertam para o risco de a tecnologia reforçar a capacidade militar de Pequim e reduzir a vantagem competitiva americana em inteligência artificial.
Analistas de mercado observam que, embora as restrições busquem um compromisso, sua fiscalização pode ser desafiadora. Jay Goldberg, da Seaport Research, descreveu a ação como um "curativo", uma tentativa temporária de cobrir a lacuna na política de exportação. Saif Khan, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional, expressou preocupação com a ampliação significativa da capacidade de IA da China, estimando que a regra permitiria a entrada de cerca de dois milhões de chips H200 no país, um volume equivalente ao poder computacional de uma grande empresa americana de IA. Empresas chinesas já teriam feito pedidos para mais de dois milhões de unidades do H200, que são vendidos a cerca de US$ 27 mil cada, superando o estoque atual da Nvidia, estimado em 700 mil unidades. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, confirmou que a empresa está acelerando a produção diante da forte demanda global, o que tem elevado os preços de locação desses chips em data centers de computação em nuvem.